sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Beber até... não cair!

E a ciência não para. 

Desta vez, parece que a sorte vai ser da galera "party-hard" e dos que gostam de entornar várias nas baladas, shows, festas e afins, esquecendo inclusive que música está ouvindo, além de arrumar qualquer desculpa (vale até comemorar o aniversário da bisavó que está no hospital) para tomar algumas. 

O professor David Nutt, psiquiatra que é especializado nas pesquisas sobre drogas, garantiu que ele está pertinho de descobrir uma solução para beber todas e não cair, nem ter ressaca. 

Esta suposta poção mágica maravilhosa (perdoem a parcialidade), segundo ele, está bem próxima, mas precisa apenas de um incentivo financeiro maior e, claro, do interesse dos megalomaníacos da indústria da bebida. 

Interessante que o Nutt também é bastante crítico quanto aos efeitos do álcool, então antes que você pule de alegria - eba! vou beber pra caralho e vou ficar sóbrio, ha ha ha -, presta atenção nos dados fornecidos na matéria que foi publicada pelo Guardian e se liga no verdadeiro motivo da invenção do psiquiatra:





"Álcool sem ressaca? Está mais próximo do que você imagina!
Ciência nos proporciona uma maneira mais segura de ficar bêbado. Porém, antes de ficarmos sóbrios dentro de um minuto, a indústria do álcool precisa tomar interesse por essa iniciativa da saúde

Imagine tomar todas no Natal sem o risco de ressaca no outro dia, ou ainda, poder tomar um antídoto que te permite dirigir para casa de forma segura. Parece ficção científica, mas essa ambição já está bem ao alcance da ciência moderna. 

O álcool é uma das drogas mais antigas e perigosas, responsável por cerca de 2,5 milhões de mortes no mundo inteiro, o que é um número superior aos da malária e da Aids. Os motivos para isto são bem conhecidos: o álcool é tóxico para todos os sistemas do nosso organismo e, particularmente, ao nosso fígado, coração e cérebro. Ele também deixa o usuário desinibido, levando a grandes porções de violência e também é bem provável que vá levar à dependência, fazendo com que 10% dos usuários fiquem presos no vício. Se o álcool fosse descoberto hoje, pode ser que ele nunca chegasse a ser vendido justamente por ser muito tóxico para ser permitido dentro das regulamentações alimentares e sob indicações farmacêuticas de segurança. Nesta era da consciência da saúde, é até estranho como estes aspectos são raramente discutidos. 

A única forma comprovada de reduzir os danos do álcool é a limitação do consumo através da elevação de preço e a disponibilidade limitada. A maioria dos governos têm opiniões tímidas sobre isso por causa da opinião pública e por medo de perder um bocado de taxas de impostos - a exceção notável é da Escócia com sua estratégia de preço mínimo. Um outro plano alternativo que ofereceria maiores benefícios para a saúde seria fazer uma versão mais segura do álcool.

Nutt criou composições que simulam o sistema Gaba.
Foto: Action Press/Rex Features (The Guardian)


Nós sabemos que o alvo principal do álcool no cérebro é o sistema neurotransmissor ácido gama aminobutírico (Gaba) que mantém o cérebro calmo. O álcool, no entanto, relaxa os usuários simulando e aumentando a função do Gaba. Mas nós também sabemos que há uma série de subsistemas do Gaba que podem ser alvos para drogas específicas. Então, na teoria, nós podemos fazer o álcool uma réplica que faz as pessoas se sentirem relaxadas e sociáveis e eliminar os efeitos colaterais como a agressão e o vício. 

Eu tenho identificado cinco composições e agora preciso testá-las para saber se as pessoas acham os efeitos tão prazerosos quanto os do álcool. O desafio é preparar uma nova bebida em um estilo que a deixe gostosa e provocante. Provavelmente será em forma de drink [de coquetel], então eu já prevejo diferentes sabores. Outra grande vantagem desta aproximação científica sobre intoxicação é que se conseguirmos mirar nas composições que afetam o sistema Gaba, então será possível produzir outras drogas que poderão ser vendidas lado a lado ao susbtituto do álcool como antídoto. 

Eu experimentei as duas novas formas. Depois de explorar uma possível composição eu estava bem relaxado e inebriosamente sonolento por mais ou menos uma hora, então depois de ter tomado o antídoto, em alguns minutos, eu estava em pé, dando uma palestra sem qualquer efeito colateral. 

Tudo que se precisa agora é um investimento para testar estas composições e colocá-las no mercado. Alguns contatos feitos com a indústria do álcool mostram que eles estão interessados mas que não sentem necessidade de se engajar ainda, a não ser quando esta nova invenção começar a ser uma ameaça para suas vendas. Esta é uma situação parecida com a das companhias de cigarro quando os e-cigarettes (cigarros eletrônicos) estavam sendo desenvolvidos - eles ficaram quietos no início mas agora são donos de diversas empresas que fazem alternativas mais seguras para o fumo. Da mesma forma, sem investir numa nova maneira de se aproximar do álcool, é possível que nós não demos conta do potencial enorme de saúde desta alternativa mais segura."



E aí? Vamo botar fé no projeto do tio David? Eu achei a ideia super válida e segura, só tenho um certo receio do que isso seria na mão da garotada em geral que poderia utilizar este "Sober-Up" como desculpa pra encher a cara, esquecendo que o álcool vai além das consequências neurológicas (vide cirrose y outras cositas más). 

Porém, já é um grande avanço. You go, science!!!



Esta matéria foi publicada pelo jornal The Guardian: Alcohol without the hangover? It's closer than you think por David Nutt. 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mulheres chegando para dominar a cabine dos DJs - Parte 2

Continuando a matéria sobre o alcance das mulheres na carreira de música eletrônica, aqui vai a parte dois publicada pelo New York Times no início deste mês.

Nesta segunda parte, algumas declarações são bastante interessantes como a da nigeriana Nicole Moudaber que acredita numa educação feminina mais aberta e que confirma "eu nunca brinquei com uma boneca". Temos também depoimentos de peso como Paul Oakenfold e Carl Cox, ambos impulsionadores da carreira de mulheres DJs no mercado.

Saca só:

"Mulheres alcançando a cabine dos DJs - Parte 2

Na dance music, dar um tempo mais longo de que poucos meses pode atrasar uma carreira, já que os subgêneros podem sair de moda num instante. A DJ veterana de trance e progressive house DJ Sandra Collins, de 43 anos, que tirou um tempinho para ter seu filho cinco anos atrás, confirmou que quando voltou a discotecar, o cena da dance music já tinha mudado. "Eles querem um house-confete", Collins disse sobre os hits pop que não param de crescer e que estão dominando as pistas de dança. "E eu não posso, ou melhor, nunca vou poder fazer isso".

No circuito da dance music comercial, Nervo está se infiltrando nos line-ups predominantemente masculinos. "Elas estão no top 20 de DJs sendo agendados", disse Paul Oakenfold, 50 anos, o influente DJ e produtor, que vem sendo um incentivador da carreira do Nervo, inclusive levando as garotas com ele na sua tour de 2010. "Existem mais mulheres DJs entrando no campo agora comparado com os anos 90", acrescentou, "mas repare no seguinte: você tem que ser muito, muito bom hoje, é muito competitivo".

As irmãs Nervo já são compositoras profissionais há quase uma década, ajudando a consagrar hits para as Pussycat Dolls e Kesha. Elas co-compuseram "When Love Takes Over", o hit que rendeu um Grammy para David Guetta em parceria com Kelly Rowland, antes de tomarem a frente das pick-ups.

"Nós estávamos trabalhando mais e mais com artistas de eletrônico, e obtivemos algum sucesso, e isso nos deu a confiança de aparecer e sermos artistas nós mesmas", afirmou Liv Nervo, de 29 anos. O single pop do Nervo, "Hold On", foi hit número 1 no chart dance/club da Billboard em junho.

Dulpa Nervo (Chloe Paul - NYT)


Oakenfold disse: "Você realmente tem que tocar a música que está em alta, especialmente porque a garotada só quer música comercial e não tem muita mulher fazendo isso".

Não faz mal o fato de que as irmãs Nervo são fotogênicas e também têm um histórico como modelos, além de serem patrocinadas pela Cover Girl. No circuito E.D.M., que está cada vez mais baseado na imagem, coincidentemente cheio de caras de semblantes marcantes da Suécia, as irmãs Nervo estão na direção certa para serem estrelas.

Ainda assim, Liv Nervo confirmou que elas não querem enfatizar demais suas respectivas aparências. "Nós nos garantimos de que não estamos vestindo nada muito enfeitado", ressaltou. "Nós fazemos questão de garantir que não estamos vestidas de forma muito exagerada".

Jogar com o sex appeal pode ser arriscado para uma DJ mulher. Nina Kraviz, russa, porém, residente de Berlim, encontrou-se embaralhada numa grande controvérsia no início deste ano quando ela participou de uma entrevista em vídeo para o Resident Advisor, um website de techno, enquanto tomava um banho em uma banheira. Ela foi acusada pelos fãs de techno de explorar sua aparência para chamar atenção. (Ela ficou em 47º lugar no Top 100 da lista de DJs da Resident Advisor). "Era apenas uma pessoa numa banheira de bolhas, vamo lá, fala sério", disse Kraviz que era dentista na Rússia antes de virar DJ. "Eu estava pensando que era tão hilário. E fiz apenas para me divertir, honestamente. Eu estava apenas sendo eu mesma na banheira, para que ficasse mais real".

Nina Kraviz polemiza cenário techno na banheira - Factmag.com


Como Nervo, Nicole Moudaber, a DJ nigeriana de 36 anos, teve um impulso de uma estrela masculina influente. Ela promovia festas em Beirut antes de se mudar para Londres e se tornar DJ e produtora. Então o veterano artista de techno Carl Cox classificou Moudaber como uma das DJs mais sub-classificadas de 2009, dizendo para a DJ Magazine: "Eu tenho seguido a carreira dela nos últimos três anos. Ela é maravilhosa".

Nicole disse, "desde aquele momento, minha carreira inteira decolou, basicamente".

Ela tem um trabalho produtivo, lançando singles na Intec, o selo de Cox, assim como no seu próprio selo de techno, Mood. Neste ano, ela também lançou seu primeiro álbum, "Believe" (pela Drumcode). "Pra ser sincera, tudo está nas mãos das mulheres", afirmou Moudaber. "Se você quiser fazer, você faz. Ninguém está forçando-as a não fazer. É como eu vejo. Não importa se você é menino ou menina, é só uma questão de querer fazer alguma coisa".

Ainda assim, Moudaber disse que as garotas poderiam ser encorajadas mais firmemente a abraçar a tecnologia. "Eu gostaria de ver garotas sendo mais condicionadas pelos pais [para a tecnologia] desde a infância e que parem de colocar bonecas nas mãos delas. Se elas querem brincar com máquinas, deixem elas brincarem com máquinas, porque eu mesma nunca brinquei com uma boneca".

Nicole Moudaber (Randon Vanucci - Rollingtuff)


Shawn Schwartz, dono da loja de discos do Brooklyn, Halycon, disse que uma noite começou a expor um showcase de talentos femininos na sua loja em 2010, quando teve que parar porque o estabelecimento não recebia mais mulheres para se apresentar. "Eu não acho que tenha qualquer tipo de bloqueio institucional por parte da indústria", falou. "Se você está agendando DJs, não existe um número igual de homens e mulheres disponíveis e aí só os caras que são agendados".

É um ciclo vicioso: em Las Vegas, onde um DJ top pode ganhar milhões de dólares por noite de um club, é um risco escalar um DJ que não tenha sido testado, independente de ser mulher. E, apesar dos maiores clubs estarem lotados de mulheres, e de muitos hits de dance possuírem mulheres no vocal, elas ainda são sexualizadas pela indústria; em Las Vegas, festas na piscina de topless são abundantes.

Porém, uma DJ mulher pode proporcionar o momento "a-ha!" da festa. "Eu estou vendo muitas garotas na minha pista", confirmou Moudaber. "Elas vêm provavelmente porque podem se identificar comigo. Enquanto no passado, talvez, elas nem se importariam de sair para uma noite de techno".

Diferentemente de outros ramos dominados pelos homens como ciência e tecnologia, não existem muitas instituições que treinem as mulheres DJs.

Dubspot, uma escola de produção de música eletrônica e discotecagem de Nova York, possui um programa bimestral chamado 'Inspirando Mulheres em Tecnologia Musical'. "As coisas definitivamente estão crescendo e eu estou vendo mais mulheres matriculadas do que quando comecei", disse Kelly Webb, a diretora de assuntos estudantis que foi para a Dubspot há seis anos atrás. Mesmo assim, disse ela, apenas 10% dos 250 alunos do curso são garotas.

Enquanto Cassy Britton, Nicole Moudaber e Nervo estão abrindo o caminho, elas ainda não estão no nível profissional de megaestrelas como Skrillex. "Eu fico consideravelmente surpreso que isso não tenha acontecido antes", opinou Ryan Keeling, editor da Resident Advisor sobre a falta de estrelas DJs femininas. "Mas acho que do jeito que as coisas estão indo, é apenas uma questão de tempo".



E lá vai a minha opinião:
De fato, seguir a carreira de DJ é novidade para a mulherada em geral e, quando elas chegam nas pick-ups, rola aquele cheirinho de desconfiança no ar e toda pista de dança parece que fica com uma atenção dobrada na moça - seja pelo seu look, ou "pra ver se ela toca bem mesmo". Que todo mundo tem que se provar nesta vida no que quer que faça, isso é certo, porém, em algumas escolhas profissionais, o peso sobre os ombros das mulheres é um pouco maior, muitas vezes ainda carregado com preconceito.

Achei a matéria super interessante porque mostra justamente a que pé estamos no quesito da música eletrônica e do mundo profissional em geral quando se trata da produtividade feminina e do reconhecimento dos seus projetos. Mais uma vez, apertando a tecla que estou tão viciada em apertar recentemente, o feminismo se mostra ainda muito necessário no que condiz a lutar pelos nossos direitos e garantir nosso espaço em todas as categorias sociais de forma igualitária e justa. Os dados da matéria do NYT só endossam que ainda temos alguns caminhos pra percorrer e cá pra nós, a Nicole até que está certa. Deixa as meninas brincarem do que quiserem e - importante - apresentem a elas outros brinquedos que não sejam apenas bonecas, barbies ou pior!, mesa do cházinho das cinco ou lava-louças portáteis (sim, isso existe, já reparou no absurdo? não? pois é).

No mais, é isso. Os cursos ainda são muito poucos - e caros, vale acrescentar - mas estão aí. Se você tem interesse pela carreira de DJ e produtor, seja homem ou mulher, corre atrás que tem. O curso que faço na Anhembi Morumbi aqui de São Paulo é um deles e, pelo que vi até agora, vale muito a pena. De fato, numa sala com cerca de 30 pessoas, só temos três meninas (incluindo euzinha), seguindo os dados quase que cabais da Dubspot em NY. Porém, como já vi num filme uma vez, "é o grau de comprometimento que determina o sucesso, não o número de seguidores".

E é com esta premissa que reitero o que diz a poesia concreta das ruas: é nóiz na fita e tamo junto!

Matéria Original: Women Edging Their Way into to the DJ Booth

Encontrou algum erro de tradução? Não fica me insultando nos comentários, por favor! Me avisa que eu ajeito e assim todo mundo fica feliz! ;) 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Mulheres chegando pra dominar as cabines dos DJs - Parte 1

E, mais uma vez, o grande (e todo poderoso) New York Times vem com uma ótima publicação.

Esta, mais antiga, é de 1º de novembro, mas ainda tem muita repercussão no mundo da música. Ela fala sobre como as mulheres estão numerosamente atrás dos homens no comando das pick-ups, porém, vêm alcançando cada vez mais destaque na área de produção e discotecagem no mundo todo.

Com entrevistas como Nervo, Cassy e Nicole Moudaber, a matéria da sessão de música do jornal é um boost, especialmente na auto-estima de quem precisa (eu? magina!), e também uma ótima fonte de informação para quebrar preconceitos e alargar horizontes.

Como a matéria é GIGANTE e estou traduzindo ela, vou reblogá-la em duas partes. Segue a primeira:


"Mulheres alcançando a cabine dos DJs

Quando o duo eletrônico Nervo, as gêmeas australianas Olivia e Miriam Nervo, começaram a carreira há três anos atrás, elas costumavam chocar as pessoas já na hora de aparecerem.

"Nós aterrisávamos no aeroporto e alguém nos buscava e dizia, 'vocês são o Nervo?'", diz Olivia, mais conhecida como Liv.

Os promoters não acreditavam que os Djs não eram homens mas, sim, lindas e jovens mulheres.

Nervo agora se apresenta regularmente em festivais e clubs gigantescos mas as irmãs ainda são um caso raro da revelação feminina na música eletrônica. Numa recente enquete para os leitores da DJ Magazine dos Djs top 100, Nervo está em 16º lugar, apenas uma das três artistas femininas da lista. Ano passado, só tinha uma.

NERVO - Archive



Cerca de cinco anos depois que a última onda da música eletrônica dance, ou E.D.M. [de eletronic dance music], tornou-se um grande negócio nos Estados Unidos, e 26 anos depois que Anita Sarko foi chamada de "the Queen of the Discotheque Deejays" pelo New York Times, a cabine dos Djs ainda é de um alcance bem masculino. Os homens dominam em superclubs como o Hakkasan em Las Vegas e o Pacha em Nova York. Apenas um grupo de mulheres aparecem em megafestivais como o recente Eletric Zoo em NY que contratou cerca de uma dúzia de atos femininos em cinco anos de história.

Ainda não existe uma mulher na lista da Forbes de DJs mais bem pagos. "O EDM comercial é incrivelmente dominada pelos caras", disse o jornalista veterano de dance music e DJ Philip Sherburne.

Cassy Britton, mais conhecida como Cassy, DJ e produtora de Vienna que tocou no dia 26 de outubro deste ano no club Output do Brooklyn como parte da sua residência por lá, chamou a cena na qual participa de um "clube do bolinha, pode-se dizer".

"Nenhuma mulher está num nível top", ela afirmou. "Então não existe uma mulher que faça muita grana como DJ. Nenhuma sequer".

Os homens e mulheres DJs, promoters e executivos de selos que foram entrevistados citaram um número possível de razões pelas quais não existem meninas-Tiestos, dentre elas o fato de existir uma indústria predominantemente conduzida pelos homens; a falta de exemplos de mulheres e mentoras na área e um estilo de vida cruel que não combina com gerar uma família. Além disso, muitos disseram que apesar dos softwares que dispõem de uma leitura bastante compreensível que tornou música algo mais fácil de aprender, mulheres ainda não são tão ligadas em "brincar com botões" quanto os homens.

Porém, apesar das estatísticas, as irmãs do Nervo e Cassy Britton estão curtindo um perfil que está crescendo com outras DJs mulheres como a especialista em techno londrina Nicole Moudaber, a britânica defensora do dark-house Maya Jane Coles, a atleta alemã de techno Tini e a russa, também do time techno, DJ Nina Kraviz.

Em agosto, Cassy, de 39 anos, lançou um mix CD de uma longa série da Fabric, o respeitado club londrino. Ela é apenas a quarta mulher com um mix da Fabric de 72 edições no total. Ela estudou violão clássico por sete anos, tem produzido e discotecado desde o final dos anos 90 e, como muitos DJs homens, escreve e produz suas próprias músicas, algumas vezes colaborando com artistas techno de peso como Steve Bug, o duo Swayzak e Ricardo Villalobos. Eletric Indigo, outra DJ mulher, foi sua mentora, mesmo quando, segundo Cassy, a própria tinha enfrentado uma resistência dos colegas masculinos.

"A maioria dos caras que eu andava apenas ficavam chapados e se tornavam experts em todos os selos e lançamentos", disse. "Eu estava dando minha cara a tapa. Eu acho que foi isso que eles odiavam - que eu chegasse em algum lugar e eles saberiam muito mais sobre tudo".

Cassy Britton - Jimmy Mould/NYT


Ela se mudou para Berlim em 2003 e se tornou residente do Panorama Bar dentro de Berghain, o famoso club da capital alemã. Seu som, um recheado e híbrido deep house e techno com infusão de funk é bem recebido em grandes clubs assim como em lugares mais intimistas. Cassy também é conhecida atualmente por ser residente do Rex Club em Paris e Trouw em Amsterdã, além de estar tocando na Fabric desde 2005.

"Ela é uma DJ excepcional, não apenas uma 'DJ mulher excepcional'", disse Leo Belchetz, o manager do selo Fabric Records, por email. "Aliás, nós estamos tentando colocar Cassy na nossa série tem uns dois anos. Mas toda vez tem algo que atrapalha - seja um compromisso de lançamento alternativo ou ela estava se mudando de novo. (Ela é insuportavelmente nômade!)"

Cassy faz três ou quatro shows em cidades diferentes, às vezes em países diferentes, a cada semana; nas semanas que iria comandar o Output de outubro, ela estava escalada para discotecar em Paris, Boston, Munique e Amsterdã. Neste verão, ela não conseguia responder a uma simples pergunta: onde fica sua casa?

"Muito boa pergunta", ela falou por telefone de um hotel em Florença, na Itália. "Eu não moro em lugar nenhum mais".

"Este é um trabalho bizarro", acrescentou. "Eu casei, divorciei e tenho certeza que isso tem a ver com o trabalho".


Matéria original: Women Edging Their Way to the DJ Booth

Achou algum erro de tradução? Não me insulta nos comentários! Faz algo mais útil e legal: me avisa que eu ajeito ;)

Os benefícios das aulas de música são pra vida toda

Ouvir é muito bom.

Porém, é tão natural que subestimamos esta ação contínua e involuntária do nosso corpo quanto aos efeitos, ou melhor, defeitos que ela pode adquirir com o tempo.

Quem nunca perdeu a paciência por não conseguir ouvir algo que estava muito baixo? Ou então quem não fica meio impaciente quando está falando com alguém, especialmente um idoso, e tem que repetir mais de uma vez o que diz para garantir total compreensão?

Pois é. Recentemente, o grande (e superpoderoso) jornal New York Times publicou uma matéria da jornalista Sindya N. Bhanoo na qual divulga um estudo, publicado pela Northwestern University, que confirma cientificamente mais um benefício do ensino de música na fase da infância. De acordo com o projeto coordenado pela neurocientista Nina Kraus, quem possui treinamento de música desde cedo, mesmo que pare de exercer a atividade musical depois, pode ter uma grande vantagem na velhice: sofrerá menos com os "delays" e compreenderá mais rápido qualquer discurso do que aqueles que tiveram preguiça de fazer aula de música quando pequenos.

Achei tão interessante que resolvi traduzir e reblogar aqui.

Saca só:

"As aulas de música da época de infância podem até deixar lembranças dolorosas, mas parece que elas carregam benefícios para a fase adulta. Um novo estudo afirma que adultos mais velhos que tiveram estas aulas quando mais novos podem processar os sons de um discurso mais rápido dos que não tiveram lições relacionadas à música.

"Não interessa qual instrumento você tocava, o que é importa é que você tocou", disse Nina Kraus, neurocientista da Northwestern University e autora do estudo que aparece no The Journal of Neuroscience.

Ela e seus colaboradores [da pesquisa] estudaram 44 adultos saudáveis de 55 a 76 anos de idade, medindo a atividade elétrica na região do cérebro que processa o som.

Eles descobriram que participantes que tinham de quatro a 14 anos de treinamento musical obtinham respostas mais rápidas a sons de discurso do que participantes sem nenhum treinamento - mesmo que nenhum do primeiro grupo tenham tocado qualquer instrumento há mais de 40 anos.

Chris Gash - NYT


Kraus disse que o estudo endossou a necessidade de uma boa educação musical. "Nossa ideia geral a respeito de educação é que é voltada para nossas crianças", afirmou. "Mas, na verdade, nós estamos apenas preparando nossas crianças para um envelhecimento saudável baseado no que podemos fornecê-las agora."

Outros estudos também sugerem que treinamentos de música que duram a vida inteira também possuem um efeito positivo no cérebro, ela acrescentou. Inclusive, a própria Dra. Kraus toca guitarra, piano e bateria - "não muito bem, mas com bastante entusiasmo".


E aí?

E aí que, como todos sabemos, no Brasil, a lei de número 11.769 de 2008, sancionada pelo ex-presidente Lula, determina que música deve ser conteúdo obrigatório na educação básica de todas as escolas privadas e públicas. A lei passou a valer ano passado e pode ser considerada um avanço no âmbito cultural e de música no país. Porém, como nem tudo que reluz é ouro, SE as escolas estão realmente cumprindo com este currículo é uma história. E SE não estão indiferentes à obrigatoriedade e colocando o tio da cantina - nada contra os tios! - para dar aula de música pra gurizada também é outra.

Claudia Marianno - Educar para Crescer


O negócio agora é esperar pra ver e ter mais um argumento para utilizar contra quem acredita que música na escola é perda de tempo...

Matéria do NYT original: Long-Term Benefits of Music Lessons by Sindya N. Bhanoo