E a ciência não para.
Desta vez, parece que a sorte vai ser da galera "party-hard" e dos que gostam de entornar várias nas baladas, shows, festas e afins, esquecendo inclusive que música está ouvindo, além de arrumar qualquer desculpa (vale até comemorar o aniversário da bisavó que está no hospital) para tomar algumas.
O professor David Nutt, psiquiatra que é especializado nas pesquisas sobre drogas, garantiu que ele está pertinho de descobrir uma solução para beber todas e não cair, nem ter ressaca.
Esta suposta poção mágica maravilhosa (perdoem a parcialidade), segundo ele, está bem próxima, mas precisa apenas de um incentivo financeiro maior e, claro, do interesse dos megalomaníacos da indústria da bebida.
Interessante que o Nutt também é bastante crítico quanto aos efeitos do álcool, então antes que você pule de alegria - eba! vou beber pra caralho e vou ficar sóbrio, ha ha ha -, presta atenção nos dados fornecidos na matéria que foi publicada pelo Guardian e se liga no verdadeiro motivo da invenção do psiquiatra:
Ciência nos proporciona uma maneira mais segura de ficar bêbado. Porém, antes de ficarmos sóbrios dentro de um minuto, a indústria do álcool precisa tomar interesse por essa iniciativa da saúde
Imagine tomar todas no Natal sem o risco de ressaca no outro dia, ou ainda, poder tomar um antídoto que te permite dirigir para casa de forma segura. Parece ficção científica, mas essa ambição já está bem ao alcance da ciência moderna.
O álcool é uma das drogas mais antigas e perigosas, responsável por cerca de 2,5 milhões de mortes no mundo inteiro, o que é um número superior aos da malária e da Aids. Os motivos para isto são bem conhecidos: o álcool é tóxico para todos os sistemas do nosso organismo e, particularmente, ao nosso fígado, coração e cérebro. Ele também deixa o usuário desinibido, levando a grandes porções de violência e também é bem provável que vá levar à dependência, fazendo com que 10% dos usuários fiquem presos no vício. Se o álcool fosse descoberto hoje, pode ser que ele nunca chegasse a ser vendido justamente por ser muito tóxico para ser permitido dentro das regulamentações alimentares e sob indicações farmacêuticas de segurança. Nesta era da consciência da saúde, é até estranho como estes aspectos são raramente discutidos.
A única forma comprovada de reduzir os danos do álcool é a limitação do consumo através da elevação de preço e a disponibilidade limitada. A maioria dos governos têm opiniões tímidas sobre isso por causa da opinião pública e por medo de perder um bocado de taxas de impostos - a exceção notável é da Escócia com sua estratégia de preço mínimo. Um outro plano alternativo que ofereceria maiores benefícios para a saúde seria fazer uma versão mais segura do álcool.
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| Nutt criou composições que simulam o sistema Gaba. Foto: Action Press/Rex Features (The Guardian) |
Nós sabemos que o alvo principal do álcool no cérebro é o sistema neurotransmissor ácido gama aminobutírico (Gaba) que mantém o cérebro calmo. O álcool, no entanto, relaxa os usuários simulando e aumentando a função do Gaba. Mas nós também sabemos que há uma série de subsistemas do Gaba que podem ser alvos para drogas específicas. Então, na teoria, nós podemos fazer o álcool uma réplica que faz as pessoas se sentirem relaxadas e sociáveis e eliminar os efeitos colaterais como a agressão e o vício.
Eu tenho identificado cinco composições e agora preciso testá-las para saber se as pessoas acham os efeitos tão prazerosos quanto os do álcool. O desafio é preparar uma nova bebida em um estilo que a deixe gostosa e provocante. Provavelmente será em forma de drink [de coquetel], então eu já prevejo diferentes sabores. Outra grande vantagem desta aproximação científica sobre intoxicação é que se conseguirmos mirar nas composições que afetam o sistema Gaba, então será possível produzir outras drogas que poderão ser vendidas lado a lado ao susbtituto do álcool como antídoto.
Eu experimentei as duas novas formas. Depois de explorar uma possível composição eu estava bem relaxado e inebriosamente sonolento por mais ou menos uma hora, então depois de ter tomado o antídoto, em alguns minutos, eu estava em pé, dando uma palestra sem qualquer efeito colateral.
Tudo que se precisa agora é um investimento para testar estas composições e colocá-las no mercado. Alguns contatos feitos com a indústria do álcool mostram que eles estão interessados mas que não sentem necessidade de se engajar ainda, a não ser quando esta nova invenção começar a ser uma ameaça para suas vendas. Esta é uma situação parecida com a das companhias de cigarro quando os e-cigarettes (cigarros eletrônicos) estavam sendo desenvolvidos - eles ficaram quietos no início mas agora são donos de diversas empresas que fazem alternativas mais seguras para o fumo. Da mesma forma, sem investir numa nova maneira de se aproximar do álcool, é possível que nós não demos conta do potencial enorme de saúde desta alternativa mais segura."
E aí? Vamo botar fé no projeto do tio David? Eu achei a ideia super válida e segura, só tenho um certo receio do que isso seria na mão da garotada em geral que poderia utilizar este "Sober-Up" como desculpa pra encher a cara, esquecendo que o álcool vai além das consequências neurológicas (vide cirrose y outras cositas más).
Porém, já é um grande avanço. You go, science!!!
Esta matéria foi publicada pelo jornal The Guardian: Alcohol without the hangover? It's closer than you think por David Nutt.

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