terça-feira, 12 de novembro de 2013

Os benefícios das aulas de música são pra vida toda

Ouvir é muito bom.

Porém, é tão natural que subestimamos esta ação contínua e involuntária do nosso corpo quanto aos efeitos, ou melhor, defeitos que ela pode adquirir com o tempo.

Quem nunca perdeu a paciência por não conseguir ouvir algo que estava muito baixo? Ou então quem não fica meio impaciente quando está falando com alguém, especialmente um idoso, e tem que repetir mais de uma vez o que diz para garantir total compreensão?

Pois é. Recentemente, o grande (e superpoderoso) jornal New York Times publicou uma matéria da jornalista Sindya N. Bhanoo na qual divulga um estudo, publicado pela Northwestern University, que confirma cientificamente mais um benefício do ensino de música na fase da infância. De acordo com o projeto coordenado pela neurocientista Nina Kraus, quem possui treinamento de música desde cedo, mesmo que pare de exercer a atividade musical depois, pode ter uma grande vantagem na velhice: sofrerá menos com os "delays" e compreenderá mais rápido qualquer discurso do que aqueles que tiveram preguiça de fazer aula de música quando pequenos.

Achei tão interessante que resolvi traduzir e reblogar aqui.

Saca só:

"As aulas de música da época de infância podem até deixar lembranças dolorosas, mas parece que elas carregam benefícios para a fase adulta. Um novo estudo afirma que adultos mais velhos que tiveram estas aulas quando mais novos podem processar os sons de um discurso mais rápido dos que não tiveram lições relacionadas à música.

"Não interessa qual instrumento você tocava, o que é importa é que você tocou", disse Nina Kraus, neurocientista da Northwestern University e autora do estudo que aparece no The Journal of Neuroscience.

Ela e seus colaboradores [da pesquisa] estudaram 44 adultos saudáveis de 55 a 76 anos de idade, medindo a atividade elétrica na região do cérebro que processa o som.

Eles descobriram que participantes que tinham de quatro a 14 anos de treinamento musical obtinham respostas mais rápidas a sons de discurso do que participantes sem nenhum treinamento - mesmo que nenhum do primeiro grupo tenham tocado qualquer instrumento há mais de 40 anos.

Chris Gash - NYT


Kraus disse que o estudo endossou a necessidade de uma boa educação musical. "Nossa ideia geral a respeito de educação é que é voltada para nossas crianças", afirmou. "Mas, na verdade, nós estamos apenas preparando nossas crianças para um envelhecimento saudável baseado no que podemos fornecê-las agora."

Outros estudos também sugerem que treinamentos de música que duram a vida inteira também possuem um efeito positivo no cérebro, ela acrescentou. Inclusive, a própria Dra. Kraus toca guitarra, piano e bateria - "não muito bem, mas com bastante entusiasmo".


E aí?

E aí que, como todos sabemos, no Brasil, a lei de número 11.769 de 2008, sancionada pelo ex-presidente Lula, determina que música deve ser conteúdo obrigatório na educação básica de todas as escolas privadas e públicas. A lei passou a valer ano passado e pode ser considerada um avanço no âmbito cultural e de música no país. Porém, como nem tudo que reluz é ouro, SE as escolas estão realmente cumprindo com este currículo é uma história. E SE não estão indiferentes à obrigatoriedade e colocando o tio da cantina - nada contra os tios! - para dar aula de música pra gurizada também é outra.

Claudia Marianno - Educar para Crescer


O negócio agora é esperar pra ver e ter mais um argumento para utilizar contra quem acredita que música na escola é perda de tempo...

Matéria do NYT original: Long-Term Benefits of Music Lessons by Sindya N. Bhanoo

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