Nesta segunda parte, algumas declarações são bastante interessantes como a da nigeriana Nicole Moudaber que acredita numa educação feminina mais aberta e que confirma "eu nunca brinquei com uma boneca". Temos também depoimentos de peso como Paul Oakenfold e Carl Cox, ambos impulsionadores da carreira de mulheres DJs no mercado.
Saca só:
"Mulheres alcançando a cabine dos DJs - Parte 2
Na dance music, dar um tempo mais longo de que poucos meses pode atrasar uma carreira, já que os subgêneros podem sair de moda num instante. A DJ veterana de trance e progressive house DJ Sandra Collins, de 43 anos, que tirou um tempinho para ter seu filho cinco anos atrás, confirmou que quando voltou a discotecar, o cena da dance music já tinha mudado. "Eles querem um house-confete", Collins disse sobre os hits pop que não param de crescer e que estão dominando as pistas de dança. "E eu não posso, ou melhor, nunca vou poder fazer isso".
No circuito da dance music comercial, Nervo está se infiltrando nos line-ups predominantemente masculinos. "Elas estão no top 20 de DJs sendo agendados", disse Paul Oakenfold, 50 anos, o influente DJ e produtor, que vem sendo um incentivador da carreira do Nervo, inclusive levando as garotas com ele na sua tour de 2010. "Existem mais mulheres DJs entrando no campo agora comparado com os anos 90", acrescentou, "mas repare no seguinte: você tem que ser muito, muito bom hoje, é muito competitivo".
As irmãs Nervo já são compositoras profissionais há quase uma década, ajudando a consagrar hits para as Pussycat Dolls e Kesha. Elas co-compuseram "When Love Takes Over", o hit que rendeu um Grammy para David Guetta em parceria com Kelly Rowland, antes de tomarem a frente das pick-ups.
"Nós estávamos trabalhando mais e mais com artistas de eletrônico, e obtivemos algum sucesso, e isso nos deu a confiança de aparecer e sermos artistas nós mesmas", afirmou Liv Nervo, de 29 anos. O single pop do Nervo, "Hold On", foi hit número 1 no chart dance/club da Billboard em junho.
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| Dulpa Nervo (Chloe Paul - NYT) |
Oakenfold disse: "Você realmente tem que tocar a música que está em alta, especialmente porque a garotada só quer música comercial e não tem muita mulher fazendo isso".
Não faz mal o fato de que as irmãs Nervo são fotogênicas e também têm um histórico como modelos, além de serem patrocinadas pela Cover Girl. No circuito E.D.M., que está cada vez mais baseado na imagem, coincidentemente cheio de caras de semblantes marcantes da Suécia, as irmãs Nervo estão na direção certa para serem estrelas.
Ainda assim, Liv Nervo confirmou que elas não querem enfatizar demais suas respectivas aparências. "Nós nos garantimos de que não estamos vestindo nada muito enfeitado", ressaltou. "Nós fazemos questão de garantir que não estamos vestidas de forma muito exagerada".
Jogar com o sex appeal pode ser arriscado para uma DJ mulher. Nina Kraviz, russa, porém, residente de Berlim, encontrou-se embaralhada numa grande controvérsia no início deste ano quando ela participou de uma entrevista em vídeo para o Resident Advisor, um website de techno, enquanto tomava um banho em uma banheira. Ela foi acusada pelos fãs de techno de explorar sua aparência para chamar atenção. (Ela ficou em 47º lugar no Top 100 da lista de DJs da Resident Advisor). "Era apenas uma pessoa numa banheira de bolhas, vamo lá, fala sério", disse Kraviz que era dentista na Rússia antes de virar DJ. "Eu estava pensando que era tão hilário. E fiz apenas para me divertir, honestamente. Eu estava apenas sendo eu mesma na banheira, para que ficasse mais real".
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| Nina Kraviz polemiza cenário techno na banheira - Factmag.com |
Como Nervo, Nicole Moudaber, a DJ nigeriana de 36 anos, teve um impulso de uma estrela masculina influente. Ela promovia festas em Beirut antes de se mudar para Londres e se tornar DJ e produtora. Então o veterano artista de techno Carl Cox classificou Moudaber como uma das DJs mais sub-classificadas de 2009, dizendo para a DJ Magazine: "Eu tenho seguido a carreira dela nos últimos três anos. Ela é maravilhosa".
Nicole disse, "desde aquele momento, minha carreira inteira decolou, basicamente".
Ela tem um trabalho produtivo, lançando singles na Intec, o selo de Cox, assim como no seu próprio selo de techno, Mood. Neste ano, ela também lançou seu primeiro álbum, "Believe" (pela Drumcode). "Pra ser sincera, tudo está nas mãos das mulheres", afirmou Moudaber. "Se você quiser fazer, você faz. Ninguém está forçando-as a não fazer. É como eu vejo. Não importa se você é menino ou menina, é só uma questão de querer fazer alguma coisa".
Ainda assim, Moudaber disse que as garotas poderiam ser encorajadas mais firmemente a abraçar a tecnologia. "Eu gostaria de ver garotas sendo mais condicionadas pelos pais [para a tecnologia] desde a infância e que parem de colocar bonecas nas mãos delas. Se elas querem brincar com máquinas, deixem elas brincarem com máquinas, porque eu mesma nunca brinquei com uma boneca".
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| Nicole Moudaber (Randon Vanucci - Rollingtuff) |
Shawn Schwartz, dono da loja de discos do Brooklyn, Halycon, disse que uma noite começou a expor um showcase de talentos femininos na sua loja em 2010, quando teve que parar porque o estabelecimento não recebia mais mulheres para se apresentar. "Eu não acho que tenha qualquer tipo de bloqueio institucional por parte da indústria", falou. "Se você está agendando DJs, não existe um número igual de homens e mulheres disponíveis e aí só os caras que são agendados".
É um ciclo vicioso: em Las Vegas, onde um DJ top pode ganhar milhões de dólares por noite de um club, é um risco escalar um DJ que não tenha sido testado, independente de ser mulher. E, apesar dos maiores clubs estarem lotados de mulheres, e de muitos hits de dance possuírem mulheres no vocal, elas ainda são sexualizadas pela indústria; em Las Vegas, festas na piscina de topless são abundantes.
Porém, uma DJ mulher pode proporcionar o momento "a-ha!" da festa. "Eu estou vendo muitas garotas na minha pista", confirmou Moudaber. "Elas vêm provavelmente porque podem se identificar comigo. Enquanto no passado, talvez, elas nem se importariam de sair para uma noite de techno".
Diferentemente de outros ramos dominados pelos homens como ciência e tecnologia, não existem muitas instituições que treinem as mulheres DJs.
Dubspot, uma escola de produção de música eletrônica e discotecagem de Nova York, possui um programa bimestral chamado 'Inspirando Mulheres em Tecnologia Musical'. "As coisas definitivamente estão crescendo e eu estou vendo mais mulheres matriculadas do que quando comecei", disse Kelly Webb, a diretora de assuntos estudantis que foi para a Dubspot há seis anos atrás. Mesmo assim, disse ela, apenas 10% dos 250 alunos do curso são garotas.
Enquanto Cassy Britton, Nicole Moudaber e Nervo estão abrindo o caminho, elas ainda não estão no nível profissional de megaestrelas como Skrillex. "Eu fico consideravelmente surpreso que isso não tenha acontecido antes", opinou Ryan Keeling, editor da Resident Advisor sobre a falta de estrelas DJs femininas. "Mas acho que do jeito que as coisas estão indo, é apenas uma questão de tempo".
E lá vai a minha opinião:
De fato, seguir a carreira de DJ é novidade para a mulherada em geral e, quando elas chegam nas pick-ups, rola aquele cheirinho de desconfiança no ar e toda pista de dança parece que fica com uma atenção dobrada na moça - seja pelo seu look, ou "pra ver se ela toca bem mesmo". Que todo mundo tem que se provar nesta vida no que quer que faça, isso é certo, porém, em algumas escolhas profissionais, o peso sobre os ombros das mulheres é um pouco maior, muitas vezes ainda carregado com preconceito.
Achei a matéria super interessante porque mostra justamente a que pé estamos no quesito da música eletrônica e do mundo profissional em geral quando se trata da produtividade feminina e do reconhecimento dos seus projetos. Mais uma vez, apertando a tecla que estou tão viciada em apertar recentemente, o feminismo se mostra ainda muito necessário no que condiz a lutar pelos nossos direitos e garantir nosso espaço em todas as categorias sociais de forma igualitária e justa. Os dados da matéria do NYT só endossam que ainda temos alguns caminhos pra percorrer e cá pra nós, a Nicole até que está certa. Deixa as meninas brincarem do que quiserem e - importante - apresentem a elas outros brinquedos que não sejam apenas bonecas, barbies ou pior!, mesa do cházinho das cinco ou lava-louças portáteis (sim, isso existe, já reparou no absurdo? não? pois é).
No mais, é isso. Os cursos ainda são muito poucos - e caros, vale acrescentar - mas estão aí. Se você tem interesse pela carreira de DJ e produtor, seja homem ou mulher, corre atrás que tem. O curso que faço na Anhembi Morumbi aqui de São Paulo é um deles e, pelo que vi até agora, vale muito a pena. De fato, numa sala com cerca de 30 pessoas, só temos três meninas (incluindo euzinha), seguindo os dados quase que cabais da Dubspot em NY. Porém, como já vi num filme uma vez, "é o grau de comprometimento que determina o sucesso, não o número de seguidores".
E é com esta premissa que reitero o que diz a poesia concreta das ruas: é nóiz na fita e tamo junto!
Matéria Original: Women Edging Their Way into to the DJ Booth
Encontrou algum erro de tradução? Não fica me insultando nos comentários, por favor! Me avisa que eu ajeito e assim todo mundo fica feliz! ;)



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