terça-feira, 12 de novembro de 2013

Mulheres chegando pra dominar as cabines dos DJs - Parte 1

E, mais uma vez, o grande (e todo poderoso) New York Times vem com uma ótima publicação.

Esta, mais antiga, é de 1º de novembro, mas ainda tem muita repercussão no mundo da música. Ela fala sobre como as mulheres estão numerosamente atrás dos homens no comando das pick-ups, porém, vêm alcançando cada vez mais destaque na área de produção e discotecagem no mundo todo.

Com entrevistas como Nervo, Cassy e Nicole Moudaber, a matéria da sessão de música do jornal é um boost, especialmente na auto-estima de quem precisa (eu? magina!), e também uma ótima fonte de informação para quebrar preconceitos e alargar horizontes.

Como a matéria é GIGANTE e estou traduzindo ela, vou reblogá-la em duas partes. Segue a primeira:


"Mulheres alcançando a cabine dos DJs

Quando o duo eletrônico Nervo, as gêmeas australianas Olivia e Miriam Nervo, começaram a carreira há três anos atrás, elas costumavam chocar as pessoas já na hora de aparecerem.

"Nós aterrisávamos no aeroporto e alguém nos buscava e dizia, 'vocês são o Nervo?'", diz Olivia, mais conhecida como Liv.

Os promoters não acreditavam que os Djs não eram homens mas, sim, lindas e jovens mulheres.

Nervo agora se apresenta regularmente em festivais e clubs gigantescos mas as irmãs ainda são um caso raro da revelação feminina na música eletrônica. Numa recente enquete para os leitores da DJ Magazine dos Djs top 100, Nervo está em 16º lugar, apenas uma das três artistas femininas da lista. Ano passado, só tinha uma.

NERVO - Archive



Cerca de cinco anos depois que a última onda da música eletrônica dance, ou E.D.M. [de eletronic dance music], tornou-se um grande negócio nos Estados Unidos, e 26 anos depois que Anita Sarko foi chamada de "the Queen of the Discotheque Deejays" pelo New York Times, a cabine dos Djs ainda é de um alcance bem masculino. Os homens dominam em superclubs como o Hakkasan em Las Vegas e o Pacha em Nova York. Apenas um grupo de mulheres aparecem em megafestivais como o recente Eletric Zoo em NY que contratou cerca de uma dúzia de atos femininos em cinco anos de história.

Ainda não existe uma mulher na lista da Forbes de DJs mais bem pagos. "O EDM comercial é incrivelmente dominada pelos caras", disse o jornalista veterano de dance music e DJ Philip Sherburne.

Cassy Britton, mais conhecida como Cassy, DJ e produtora de Vienna que tocou no dia 26 de outubro deste ano no club Output do Brooklyn como parte da sua residência por lá, chamou a cena na qual participa de um "clube do bolinha, pode-se dizer".

"Nenhuma mulher está num nível top", ela afirmou. "Então não existe uma mulher que faça muita grana como DJ. Nenhuma sequer".

Os homens e mulheres DJs, promoters e executivos de selos que foram entrevistados citaram um número possível de razões pelas quais não existem meninas-Tiestos, dentre elas o fato de existir uma indústria predominantemente conduzida pelos homens; a falta de exemplos de mulheres e mentoras na área e um estilo de vida cruel que não combina com gerar uma família. Além disso, muitos disseram que apesar dos softwares que dispõem de uma leitura bastante compreensível que tornou música algo mais fácil de aprender, mulheres ainda não são tão ligadas em "brincar com botões" quanto os homens.

Porém, apesar das estatísticas, as irmãs do Nervo e Cassy Britton estão curtindo um perfil que está crescendo com outras DJs mulheres como a especialista em techno londrina Nicole Moudaber, a britânica defensora do dark-house Maya Jane Coles, a atleta alemã de techno Tini e a russa, também do time techno, DJ Nina Kraviz.

Em agosto, Cassy, de 39 anos, lançou um mix CD de uma longa série da Fabric, o respeitado club londrino. Ela é apenas a quarta mulher com um mix da Fabric de 72 edições no total. Ela estudou violão clássico por sete anos, tem produzido e discotecado desde o final dos anos 90 e, como muitos DJs homens, escreve e produz suas próprias músicas, algumas vezes colaborando com artistas techno de peso como Steve Bug, o duo Swayzak e Ricardo Villalobos. Eletric Indigo, outra DJ mulher, foi sua mentora, mesmo quando, segundo Cassy, a própria tinha enfrentado uma resistência dos colegas masculinos.

"A maioria dos caras que eu andava apenas ficavam chapados e se tornavam experts em todos os selos e lançamentos", disse. "Eu estava dando minha cara a tapa. Eu acho que foi isso que eles odiavam - que eu chegasse em algum lugar e eles saberiam muito mais sobre tudo".

Cassy Britton - Jimmy Mould/NYT


Ela se mudou para Berlim em 2003 e se tornou residente do Panorama Bar dentro de Berghain, o famoso club da capital alemã. Seu som, um recheado e híbrido deep house e techno com infusão de funk é bem recebido em grandes clubs assim como em lugares mais intimistas. Cassy também é conhecida atualmente por ser residente do Rex Club em Paris e Trouw em Amsterdã, além de estar tocando na Fabric desde 2005.

"Ela é uma DJ excepcional, não apenas uma 'DJ mulher excepcional'", disse Leo Belchetz, o manager do selo Fabric Records, por email. "Aliás, nós estamos tentando colocar Cassy na nossa série tem uns dois anos. Mas toda vez tem algo que atrapalha - seja um compromisso de lançamento alternativo ou ela estava se mudando de novo. (Ela é insuportavelmente nômade!)"

Cassy faz três ou quatro shows em cidades diferentes, às vezes em países diferentes, a cada semana; nas semanas que iria comandar o Output de outubro, ela estava escalada para discotecar em Paris, Boston, Munique e Amsterdã. Neste verão, ela não conseguia responder a uma simples pergunta: onde fica sua casa?

"Muito boa pergunta", ela falou por telefone de um hotel em Florença, na Itália. "Eu não moro em lugar nenhum mais".

"Este é um trabalho bizarro", acrescentou. "Eu casei, divorciei e tenho certeza que isso tem a ver com o trabalho".


Matéria original: Women Edging Their Way to the DJ Booth

Achou algum erro de tradução? Não me insulta nos comentários! Faz algo mais útil e legal: me avisa que eu ajeito ;)

2 comentários:

  1. Concordo com a seguente : a falta de exemplos de mulheres e mentoras na área e um estilo de vida cruel que não combina com gerar uma família. Além disso, muitos disseram que apesar dos softwares que dispõem de uma leitura bastante compreensível que tornou música algo mais fácil de aprender, mulheres ainda não são tão ligadas em "brincar com botões" quanto os homens.
    Eh isso mesmo, eu tambem me pregunto como seria ser dj sendo mae, si nisiquiera consigo sair de balada e se fose , ya estaria me sintiendo culpable por deixar meu bem , a mulher ten no fundo algum outro papel que embora nois gostemos tambem de brincar con botoes , a ciencia fis umas coisas mais faceis pra o cerebro masculino.
    Sonhar e posivel mas igual os sonhos se fazen realidade en outro formato e falo como outra que se ha preguntado no aeroporto con uma criança no colo, Cade minha casa? E aqui mesmo!!!!

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    1. Adorei o comentário, Fia, e acredito que este desafio é pra todas nós mesmo. Mas confesso que adorei a parte final: cadê minha casa? é aqui mesmo. =)

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